Os cinemas do Teresina Shopping possuem capacidade para 1100 lugares no total, sendo que das cinco salas disponíveis, a menor tem capacidade para 181 pessoas e a maior para 260. Mas isso não evita situações desconfortáveis em estréias de filmes muito esperados como o filme Lua Nova, o segundo da saga Crepúsculo, que é fenômeno de audiência e causou tumultos no shopping no dia da sua estréia.
A gerente dos cinemas, Mônica Mesquita, afirma que é impossível prever uma situação de estreia, principalmente em casos em que o filme tem uma mídia muito grande, mas a questão não é estrutural. “Hoje, as salas, as poltronas, a parte de áudio, de vídeo, imagem, está tudo dentro dos padrões do que a gente tem de melhor. A diferença que você tem hoje é que alguns cinemas possuem cadeiras de couro, tela com 4 metros de altura e um ingresso de 30 reais.“, afirma a gerente.
O problema, segundo ela, seria o fascínio que a história do filme Lua Nova provoca, toda essa coisa do amor impossível. “Nós esperamos ainda mais confusão de fila para os próximos filmes, pois o terceiro já está gravado e o último tem uma história que pode ser gravada no Rio de Janeiro”, diz Mônica. Ela ainda diz que 70% do público do filme é de mulheres, na faixa etária de 8 a 80 anos. “É uma coisa que não se explica. Tem senhorinhas que chegam aqui para ver o filme”, relata.
Quanto às filas, Mônica acredita que elas são essenciais. “Grandes espetáculos, seja filme, teatro, ou que for, no mundo inteiro, precisa formar fila. Se você não tem fila tem alguma coisa de errado. Isso é questão da demanda, é a mídia quem cria essa procura”, afirma.
Ela explica também que tinha a opção de colocar uma das cópias no cinema do Shopping Riverside (que também é administrado por ela e pelo marido, assim como o cinema da cidade de Parnaíba), mas optou por passar as duas no Teresina por causa da estrutura do shopping: estacionamento, conforto, área de espera climatizada, maior segurança, praça de alimentação capaz de comportar 2000 pessoas.
A Praça do Piauí, como é chamada a rede de cinemas do Estado, não faz parte de nenhum grupo grande e nem tem parcerias com governo ou instituições. E esse é o maior desafio que a gerente aponta: trazer os lançamentos e atender a demanda do público sem fazer parte de um grande grupo.
Ela afirma que existe um monopólio nos cinemas brasileiros, eles são comandados por grupos como Cinemark, Severiano Ribeiro e o grupo espanhol Box, que não querem apostar no Piauí. Assim que o shopping foi construído, há 12 anos, esses grupos foram procurados, mas nenhum acreditou na Praça.
“E enfrentar esses monopólios e trazer lançamentos pro Piauí é uma tarefa que a gente tem suado pra fazer, para mostrar às distribuidoras que estão no eixo Rio de Janeiro/São Paulo que o público do Piauí tem direito a receber esses lançamentos. E trazer duas cópias dessas, por exemplo (do filme Lua Nova), numa estréia mundial, foi um trabalho de longo prazo, passando credibilidade da empresa, do próprio nome e do público”, conta.
Nos últimos 14 meses mais ou menos, vem sendo estudada a possibilidade da digitalização de uma sala do cinema do Teresina Shopping. Mas esse projeto não é de curto prazo, mas sim em médio prazo, pois o preço do equipamento é muito alto e a demanda ainda é muito pequena. Para um filme como Lua Nova, por exemplo, as distribuidoras lançam 200 cópias em película, que é o que nós já estamos acostumados, e apenas 20 cópias digitais.
“Com 250 mil reais, você monta uma sala de cinema inteira, com poltrona, projetor, som. Com 250 mil dólares, você compra apenas o equipamento 3D. É uma coisa absurda. Você precisa de uma grande demanda de filmes para que aquele retorno possa vir.”, explica a gerente.
Um ingresso para uma sala digital em São Paulo custa em torno de 30 reais. “Fica muito caro você pagar 60 reais no cinema caso vá com o namorado ou namorada, fora a pipoca, refrigerante, chocolate. E ainda tem o programa que você geralmente faz depois , como sair pra comer uma pizza. Não fica tão barato”, relata.
O fato de o piauiense não ter uma “cultura do cinema” também pode ser considerado um empecilho para a digitalização da sala. Mônica explica que os piauienses curtem tomar uma cerveja, bater um papo, comer caranguejo. A questão da cultura, segundo ela, fica em segundo plano, é preciso que esse público amadureça um pouco mais para ter um investimento desse porte.
Postado por: Laís Lustosa (laislm@hotmail.com)


